quinta-feira, 9 de junho de 2011

SAUDADE (soneto à minha vó)


terça-feira, 7 de junho de 2011

MEU CANTO


As mais remotas raízes de minh’alma
Quando não me condenam
Me acalmam, em busca de um novo momento.

Ò luzes do desvario louco,
Do inconsciente
Que domina minha escrita,

Recalcai o laborioso trabalho do esteticista,
Transformando
Em emoção, ação, concreto, velocidade, energia.
Força centrípeta
Das luzes fulgurantes
Que o meu consciente oculta.

Despertai, meu sonolento amistoso, que o mundo
Está aí, com suas armas injustas e suas injúrias
Pérfidas, assentadas no trono angelical da inocência.

Acordai, acordai meu sonolento conhecimento
Das estruturas cósmicas do homem!
Não buscai retratar o infinito
Como um simbolista anêmico,
Nem tão pouco isolar-vos – louco romântico.

A vossa força – amigo – eclode
Dando força a nova letra
Do mundo –
Para transformar.
A transformação é o vosso ideário.
A justiça, vosso alimento.

Essa força invisível, latente, inconformista,
Que jorra mostrando as injustiças,
Propondo uma nova escrita,
É o tom, a voz anímica
Que deixa a modernidade,
Em busca de uma nova musa.
Pra fazer do meu mundinho
O infinito extravasado.
Pra fazer de um pensamento um mundo.

domingo, 5 de junho de 2011

DEGREDO


 
 Não há palavras, nunca,
Para desvendar o coração.
Nem na morte ou na luta
Nem na força bruta
Nem no amor ou na razão.

Nem todas as palavras
Dos poetas.
Nem o ontem
Nem o hoje
Nem o porvir.

Em todo existir
Não se achou maior segredo
Que as fontes de degredo
Que fazem prender um coração.

É mistério tão antigo
Quanto o mito do mistério.

AMPULHETA



Reler meus escritos
        É perceber,
      As duras penas,
             N’alma,
As marcas que golpeiam
            Minha face.

    
      É como um jardim
         Que de repente
    Se descobriu pântano,
       Notar que incapaz
               De volver,
       Me descobri adulto.

  Eu que nunca fui responsável,
Que tinha em mim toda a leveza
     Da infância, pude perceber
          No espelho do passado
                  O que fui,
              O que não sou...


          Eu que antes não notei,
                       Atônito,
                      Descobri,
                  Que para mim,
          O tempo também passou.